INTERNET COMPARTILHADA
Quando a internet chegou ao Brasil, era para poucos. Era cara, lenta e restrita a quem podia pagar. Mas o brasileiro inventou seu próprio caminho. Um morador contratava o plano, puxava o cabo Ethernet azul pelo muro e dividia a conta com os vizinhos. Nascia a internet compartilhada. Gambiarras do nosso jeito: informais, precárias, mas funcionais. Uma resposta popular à exclusão digital.
E a coisa cresceu com a praticidade do Wi-Fi. Em 2016, uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet revelou que 1 em cada 5 casas conectadas no Brasil usavam Wi-Fi do vizinho.
Antes, eram as lan houses que desempenhavam esse papel. Por 1 ou 2 reais por hora, colocaram milhões de brasileiros das classes D e E online pela primeira vez. Depois vieram os provedores comunitários, mantidos por associações de bairro, com redes mesh e antenas caseiras. É o mesmo espírito da rádio-pirata e do mutirão. Onde o mercado ainda não chegava, a comunidade inventava.
Descrição da imagem: Fotografia colorida de um prédio multifamiliar. A estrutura é composta por vários andares, com janelas retangulares dispostas em fileiras horizontais. As janelas têm cortinas claras, algumas abertas e outras fechadas. Balconetes com plantas são visíveis em alguns andares. Um cabo azul, parecido com um cabo de internet, está pendurado entre os andares, sinalizando a possibilidade de compartilhamento de conexão. Ao fundo, outros edifícios e uma rua com carros e pessoas são observáveis. O céu está parcialmente nublado, com luz natural iluminando a cena.