Pular para o conteúdo

Comunicação é Cultura

GAMBIARRA

Se não tem a peça, inventa. Se não tem o manual, descobre. A gambiarra é o pensamento brasileiro em estado prático. E, na história das comunicações no Brasil, ela está por toda parte. Significa usar tecnologia de forma coletiva, improvisada e social na hora de dividir o Wi-Fi, puxar extensão, compartilhar a senha, consertar o cabo com durex e transformar o grupo de WhatsApp em uma associação de bairro.

Em um país continental, em que a infraestrutura de telecomunicações avançou de forma lenta e desigual, a gambiarra foi, durante décadas, a política de acesso viável para milhões de brasileiros. Mais do que improviso, ela pode ser entendida como uma forma de inteligência tecnológica cotidiana: um design nascido da necessidade, da criatividade e da capacidade de reinventar usos. Como propõe o pesquisador Rodrigo Boufleur, ao estudar a gambiarra como expressão legítima do design popular, ela não representa apenas a falta de recursos, mas também a habilidade de criar soluções com o que se tem à mão.

Descrição da imagem: Fotografia colorida de um dispositivo eletrônico desmontado. O objeto central é uma parte interna de um aparelho, provavelmente um celular, com várias peças expostas. À esquerda, há um pequeno espaço com um botão branco. No centro, um slot para cartão SIM e outro para cartão microSD são visíveis. À direita, há um conector de entrada de energia e um botão branco. O fundo é azul, com detalhes em preto e branco. Algumas partes do dispositivo estão cobertas por fita branca, para proteger conexões ou componentes sensíveis.