SONS
No Brasil, o som pode ser entendido como uma tecnologia social. Para os povos originários, como os Guarani, o canto ñembo'e é simultaneamente reza, medicina e mapa cosmológico. Entre os Kayapó, os cantos coletivos duram dias e a comunidade existe como um só organismo.
Na Amazônia, a Sumaúma é uma árvore sagrada que possui raízes tabulares gigantes que emergem do solo como enormes painéis de madeira. Quando golpeadas com força, essas raízes vibram como uma caixa de ressonância natural, produzindo sons graves e potentes que percorrem quilômetros de floresta. Povos indígenas amazônicos ainda usam esse recurso para enviar mensagens e emitir alertas.
Muito antes do telégrafo, o tambor trazido pelos africanos escravizados também transmitia mensagens a longas distâncias. Nos quilombos, os batuques reuniam as comunidades e celebravam a vida com a mesma batida. Cantos e ritmos também são uma forma de resistência e, por isso mesmo, um marco da cultura brasileira até hoje.
Descrição da imagem: Fotografia colorida de uma pessoa tocando um tambor. A pessoa está sentada, com as pernas cruzadas, e usa calças verdes. As mãos estão posicionadas sobre o tambor, que tem uma pele de couro marron claro e é fixado com tiras de madeira. O músico usa uma camisa colorida com padrões florais. Ao fundo, há uma cadeira amarela e outros objetos menos distintos.